14 de maio de 2011
rainbow
E se eu te disser que o sol é amarelo? Não discordarás de mim, basta olhares para o céu, ele lá está. Até as crianças o sabem, é assim que o pintam nos seus rabiscos de montes e vales, com casas e andorinhas, e pessoas de uma bola e cinco linhas. E se eu te disser que o céu é azul? Não discordarás de mim, basta olhares para cima, ele lá está. Ou para o mar, se fores demasiado teimoso. E poderás dizer que é de noite e nada te parece azul, ou que está mau tempo e não vês nada além de cinzento. E eu digo-te, que tal como eu, tens de esperar por melhores dias para veres o azul do céu. E se eu te disser que aquilo que te corre pelo corpo é vermelho? Que a máquina que te mantém vivo é igualmente vermelha? Não discordarás de mim, basta olhares para dentro de ti. Ou para os corações vermelhos de amor ardente. O amor é vermelho, sabias? Qualquer amor é vermelho, desde que seja amor. E se eu te disser que a natureza é verde? Não discordarás de mim. Mesmo que vivas asfixiado pela cidade ou cego pelo preconceito, terás sempre uma misera flor ou uma árvore abandonada com as quais o possas comprovar. E se eu te disser que o fogo é laranja? Não discordarás de mim, basta acenderes uma chama. E tu dizes-me que é amarelo, e vermelho, e ainda azul, mas também laranja. E eu digo-te que não é por isso que o fogo deixa de arder e de cumprir o seu efeito. E se eu te disser que o roxo me estraga os planos? O sol nunca é roxo, nem o céu, nem o mar. Roxos são os meus dedos enrugados depois do banho e as nódoas negras que me marcam o corpo. Não é bonito, mas sejamos sinceros, este texto já estava destinado a não ter um final feliz.
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1 comentário:
Bonito! Gostei...
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